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Entrevista.com Joca Júnior

Por Rodolfo Carvalho

 

Ele é natural de Currais Novos e veio para Natal com a família aos 11 anos de idade. Descobriu sua verdadeira paixão no esporte ao subir pela primeira vez numa prancha de surf em Ponta Negra. Daí, não demorou para o então garoto de 14 anos “dominar as ondas” e se tornar  campeão.

Hoje, além de ser o único surfista brasileiro a ter campeonatos em três categorias (Amador, Profissional e Master), ele é proprietário de uma empresa de “beneficiamento” de açaí e ainda dedica-se a um projeto social realizado com jovens carentes de Natal, chamado Surfistas de Cristo. O Blog publica hoje Entrevista.com Joca Júnior.

 

 

1-Você nasceu em Currais Novos e durante a infância veio com a família para Natal. A mudança de uma região interiorana para o litoral foi o principal motivo que o levou a entrar em contato com o “universo” do surf?

Foi, porque eu vim morar direto [em Natal] na inauguração do conjunto Ponta Negra e na minha rua tinha um amigo que consertava prancha, inclusive ele era meu professor de capoeira também. Então, quando a gente voltava da escola eu ia pra casa dele e via ele consertar prancha. Até que um dia ele me chamou pra ir à praia. Aí me emprestou uma prancha e no primeiro dia consegui ficar em pé, tive facilidade pra aprender. E foi aí que tudo surgiu, através desse meu amigo que eu entrei no mundo do surf.

 

2-Foi fácil conquistar a primeira prancha ou o então garoto Joca teve que enfrentar muitos obstáculos, como a resistência da família, para alcançar a “crista da onda”?

Não foi fácil no começo, porque eu nasci em Currais Novos, onde me criei até os 11 anos. Quando eu vim pra cá, meu pai queria que eu fosse jogador de futebol de qualquer maneira, porque eu jogava bem futebol. Então eu ia pra escolinha do ABC, do Alecrim, do América... até que eu fiquei jogando na escolinha do América. Mas nesse meu primeiro contato com o surf, como eu tive facilidade pra aprender rápido, o pessoal me incentivou. Aí quando meu pai viu que não tinha jeito, que eu ia pra praia com prancha emprestada, que eu já tava surfando legal, ele se rendeu. Naquela época era muito difícil, ele não queria de jeito nenhum que eu levasse aquela vida de praia, “largado”. Ele achava que não tinha futuro, mas quando ele viu que eu tinha jeito para o esporte, que era aquilo que eu queria... Foi ele quem me deu minha primeira prancha.

 

3- Como surgiu o apelido Joca Júnior?

Surgiu num campeonato de surf. Só que meu apelido já era Joca desde pequenininho. Tinha uma empregada que trabalhava com a minha mãe e quando eu nasci ela me apelidou de Joca e depois meu irmão de Goba, então ficou Joca e Goba. Não sei se foi de desenho animado, não sei de onde ela tirou isso. Quando eu fui me inscrever para um campeonato de surf em Fortaleza, numa das primeiras viagens que fiz, tinha na ficha de inscrição pedindo o nome e embaixo o apelido. Meu nome é José Genival Bezerra Júnior, aí coloquei só Júnior e apelido Joca. Então ficaram me chamando de “Júnior Joca, Júnior Joca...”, até que depois virou Joca Júnior.



Escrito por Thyago Macedo às 10h45
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4-Você conseguiu o feito de ser o único surfista brasileiro a ganhar campeonatos nas categorias Amador, Profissional e Master. Qual a receita do sucesso?

O surf não é um esporte olímpico, é considerado um esporte amador ainda. Mas quando eu comecei a me destacar pelo Nordeste, ganhando campeonatos em Fortaleza e Salvador, eu vi que tinha condições de chegar lá. E pra participar dos campeonatos, sempre fui juntando dinheiro de premiação, porque se [conseguir] patrocínio hoje é difícil, imagine uns 15 anos atrás. Então eu acreditei no meu potencial, porque ajuda de governo, prefeitura, a gente nunca teve, a verdade é essa. Mas depois que me tornei um campeão brasileiro amador, aí as portas realmente se abrem, quando as grandes marcas, as empresas “surfwear” acreditaram no meu potencial. Ao se destacar a nível nacional, aí sim eu tive uma carreira bem sucedida em termos de patrocínio.

Eu fui campeão brasileiro amador no ano de 1989, competi profissionalmente no circuito brasileiro e mundial até 2003. Uns 14 anos praticamente viajando e nunca faltou patrocínio.

Sabia falar, era “desenrolado”, tinha uma boa imagem, procurava apresentar bem os patrocinadores que me pagavam... e consegui ser campeão brasileiro amador, posteriormente profissional e depois Máster. Mas eu quero ressaltar é o início da carreira, porque vejo vários atletas aqui com potencial, que chegam a se destacar a nível nacional, mas muitos param no meio do caminho por essa falta de incentivo.

 

 

5-Com o know-how de quem já vivenciou a experiência de participar por duas vezes do WCT, a primeira divisão do surf mundial, qual a sua avaliação sobre os melhores locais para competição internacional? O Havaí é mesmo a “Meca” do surf?

O Havaí é considerado a Meca do surf porque tem onda de todo tamanho. Se você quer pegar onda pequena, perfeita, você pega. Onda média, grande, “tubular”. Lá, todo surfista testa seu limite, porque tem onda pra todo gosto. Se o cara gosta de onda gigante, que só entra puxado por jet ski, lá tem. Lá realmente tem as maiores ondas “surfáveis” do planeta. O encerramento do circuito mundial é lá naquelas ondas poderosas.

Ondas perfeitas tem na Indonésia, Ilhas Maldivas...Tem ondas muito mais perfeitas. Mas é que no Havaí, o Taiti e o nosso Fernando de Noronha, nas suas devidas proporções, tem essas ondas tubulares em forma de canudo que o surfista pega “o tubo”, que é a onda mais valorizada no surf.

 

6-O surf já chegou a ser estereotipado como esporte de “desocupado, preguiçoso” e hoje, no entanto, tem conquistado adeptos de várias classes sociais e inclusive de artistas. Como você vê essa popularização do “surf style” através da mídia?

Muito bom, porque o surf é um esporte praticado no mar, na natureza e mudou muito aquela concepção. Hoje em dia o surfista é considerado “geração saúde” porque temos advogados, empresários, médicos, doutores, gente de todas as classes envolvidos na prática do surf como lazer, é importante frisar isso. O surf é uma terapia que você descansa daquele estresse do dia-a-dia. Então, as pessoas, as classes sociais descobriram isso.



Escrito por Thyago Macedo às 10h41
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7- Atualmente você é empresário do ramo alimentício. Foi difícil abandonar uma carreira vitoriosa no surf para se dedicar ao comércio?

Na verdade não foi muito porque já tava há muito tempo viajando, já tava procurando alguma coisa pra fazer quando eu parasse a minha carreira. Eu pretendia colocar uma marca de roupa com o meu nome, alguma coisa desse tipo ou representar uma marca que patrocinou muitos anos e abrir uma loja aqui em Natal.

Mas surgiu essa oportunidade através de um amigo que me ofereceu pra comprar a representação [de uma marca de açaí], porque eu tenho distribuição de açaí pelas principais academias da cidade, em alguns colégios e em várias lanchonetes espalhadas pela cidade. E abri a minha própria aqui em Ponta Negra.

 

8- Paralelo à venda do açaí, você desenvolve um trabalho social com jovens carentes em Ponta Negra chamado Surfistas de Cristo. Como funciona esse projeto?

Na verdade, nós temos dois núcleos do Surfistas de Cristo, o de Ponta Negra, de responsabilidade do [instrutor] Hugo e do meu amigo Paulo, e o nosso núcleo de ajuda, que envolve Praia dos Artistas, Miami e Areia Preta. É um trabalho muito bom, muito bonito porque além da gente levar uma mensagem legal para o jovem, da parte de Deus, a gente fala muito sobre a questão das drogas.

A gente mostra pra eles que eles podem ser bem sucedidos se eles quiserem estudar, se eles se esforçarem, porque eu não vim de uma família rica, tudo que eu consegui foi graças ao meu esforço no surf, no esporte. Então a gente dá parafina, faz campeonato entre eles, dá roupa. Além de ajudar a descobrir novos talentos para o surf, a gente dá uma direção pra que eles não entrem, não se enveredem pelo caminho da droga, do roubo. A gente não controla a vida de ninguém, mas a gente pode dar as ferramentas para que eles venham a ser pessoas bem sucedidas.

 

9- E os planos para o futuro? Joca Júnior pretende aposentar suas pranchas ou continuar desenvolvendo atividades ligadas ao surf?

Não, eu ainda estou na primeira divisão do Brasileiro. Esse ano vai ter mais algumas etapas aí e se eu conseguir me manter na elite do surf brasileiro, no ano que vem eu já estou mais estruturado com a minha lanchonete própria, com alguns pontos de distribuição. Eu vou tentar alguns bons resultados ainda na primeira divisão, mas caso eu saia, eu vou investir todo o meu tempo, toda a minha força na minha empresa pra crescer. Mas nunca deixar de competir por equipes, sempre que tiver um campeonato Profissional ou Master aqui na região, algum campeonato brasileiro se eu for convidado, eu vou participar.

Quer dizer, o surf nunca vai sair da minha vida, né? Porque é o esporte que eu gosto, que foi o meu ganho de vida, que foi a minha vida inteira. Nunca eu vou deixar de pegar onda, mas hoje eu sou pai de família, tenho filho, tenho esposa. Então a gente tem que procurar dar o melhor pra eles e hoje em dia não é mais tanto o surf que está me dando isso.

 

RAIO-X

 

Nome: José Genival Bezerra Júnior

Idade: 38

Títulos: Campeão Amador (1989), Profissional (1996) e Master (2005)

Negócio: Açaí do Joca

                Rua Praia de Jacumã, 9008 – Ponta Negra

Projeto: Surfistas de Cristo



Escrito por Thyago Macedo às 10h35
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